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terça-feira, 26 de abril de 2011

BNDES financia a insegurança nuclear

Greenpeace simula acidente nuclear na sede do banco no Rio de Janeiro e cobra a suspensão do investimento em Angra III para garantir a segurança do país.
Na véspera do aniversário de 25 anos do acidente nuclear em Chernobyl, na antiga União Soviética, uma ‘nuvem radioativa’ cobriu a sede do BNDES, no Rio de Janeiro. A fumaça laranja que subiu aos céus no Largo da Carioca, endereço do banco no centro da cidade, foi ao mesmo tempo um alerta sobre os perigos de um acidente nuclear e um apelo para que o BNDES suspenda o financiamento para a construção da usina nuclear de Angra III.
Por volta das nove e meia da manhã, ativistas do Greenpeace vestidos como equipes de resgate em acidentes nucleares dispararam sinalizadores de fumaça na frente do prédio do BNDES, simulando contaminação por radiação. Um cartaz pedia ao BNDES para não financiar uma geração de energia tão insegura, como provam Chernobyl e Fukushima.
O governo brasileiro tem na manga cinco projetos de novas usinas nucleares. Quatro ainda estão sem endereço definido. Jacques Vagner, governador da Bahia, torce para levar a maior parte delas para seu estado. A quinta está para ser construída em Angra dos Reis, no litoral Sul fluminense, no complexo que já abriga as usinas nucleares de Angra I e II. A nova unidade, Angra III, já custou aos cofres públicos 1 bilhão de reais e a estimativa do seu custo total ultrapassa 10 bilhões de reais. É muito dinheiro para se investir em uma usina que até seus criadores, os alemães, consideram uma espécie de calhambeque atômico.
Veja a galeria de fotos:

Os planos de Angra III datam da década de 70 e empregam tecnologia alemã. Seus reatores podiam ser chamados de modernos nos anos 80, quando foram construídos. Hoje, são peças de museu. Após o acidente no complexo nuclear de Fukushima Daiichi, no Japão, em 11 de março, o governo alemão, antigo parceiro na empreitada atômica brasileira, anunciou a revisão da fiança de 3 bilhões de reais que havia estendido ao projeto de Angra III. A chanceler alemã Ângela Merkel foi apenas coerente com o que está fazendo em casa.

Assine nossa petição pelo fim de Angra III

Pressionada nas urnas a abandonar os planos nucleares, Merkel cancelou as operações de sete reatores fabricados na década de 80 em seu país, similares ao que será instalado em Angra III. E mandou investigar a fundo seus protocolos de segurança. Foi um claro sinal de que a Alemanha acha que reatores fabricados há três décadas são ultrapassados e perigosos.





“Angra III não tem plano de segurança adequado e não apresenta destinação para o lixo radioativo, a exemplo das outras duas usinas em operação na região. Se a Alemanha, detentora da tecnologia dos reatores, já admitiu que não considera a tecnologia segura, por que insistimos em seguir adiante com uma obra de alto risco?”, questiona Ricardo Baitelo, responsável pela Campanha de Energia do Greenpeace.

Publique sua foto no Facebook e diga a todos que você está conosco contra Angra 3!

Desde o acidente no Japão, governos de vários países como Rússia, Bélgica, Suíça, Itália e China já se manifestaram contrários ao investimento em geração nuclear. Uma pesquisa de opinião de âmbito mundial, levada a cabo aqui no Brasil pelo Ibope, revelou que 54% da população brasileira se opõe às usinas nucleares. A mesma pesquisa, que rendeu reportagem no jornal O Estado de S. Paulo do último dia 19 de abril, mostra que, em outros países, a oposição à energia nuclear também é majoritária.

“Resta ao BNDES pensar melhor destino para o dinheiro público do que o investimento em uma fonte insegura, altamente perigosa, cara e desnecessária. O Brasil tem potencial para se tornar 100% renovável com energia limpa e totalmente segura como eólica e solar a custo muito menor”, afirma Baitelo.

A data do protesto foi escolhida para relembrar o pior acidente nuclear que o mundo já assistiu, em Chernobyl, atual Ucrânia. No dia 26 de abril o acidente completa 25 anos, mas continua a fazer vítimas. O perigo da energia nuclear, no entanto, parece não querer ser esquecido. O recente acidente em Fukushima, no dia em que completou seu primeiro mês, foi elevado à categoria 7, mesmo nível de gravidade de Chernobyl.

FONTE: GREENPEACE

segunda-feira, 14 de março de 2011

A energia do apocalipse


Investir em usinas nucleares sempre foi arriscado. O que acontece agora no Japão é só mais um exemplo do perigo que a insistência de governos pode causar à humanidade 

Usina Nuclear de Kashiwazaki Kariwa


     
Pouco mais de 24 horas após o anúncio do vazamento radioativo na usina nuclear de Fukushima, o balanço dos fatos já assusta. Mais de 210 mil moradores da região onde fica a planta tiveram que ser evacuados e outros 160 estão sendo mantidos em quarentena pelas autoridades, que receiam o risco de contaminação por radiação. Ninguém escapa, crianças, adultos, idosos, animais, plantas. Tudo e todos que estavam ao redor da usina correm o risco de serem afetados pelo vazamento. Isso por que, segundo informações anunciadas pelo governo japonês, a usina não foi planejada para aguentar tremores superiores a 7,9 graus na escala Richter, bem abaixo da intensidade do terremoto que atingiu o Japão, que foi revista hoje para 9 graus.    

As consequências podem ser devastadoras. "O impacto da liberação de radiação ao meio ambiente não impacta apenas a população diretamente afetada na área. A radioatividade perdura por várias gerações, tanto em organismos humanos, quanto em terras que deixam de produzir alimentos ou servir de moradia a populações, como foi o caso em Chernobyl", disse o responsável pela campanha de energia do Greenpeace Brasil, Ricardo Baitelo.

Em reportagem publicada no jornal americano New York Times, especialistas já haviam alertado que a usina não estava funcionando adequadamente logo em seguida ao terremoto. A reportagem relata que quantidades de césio foram detectadas, uma indicação clara de que o combustível que alimenta a planta já estava danificado.

Apesar disso, as autoridades se mantiveram inertes por horas até ordenarem a evacuação da área. Horas essas valiosas para a vida de milhares de pessoas. Para Baitelo, a falta de informações claras das autoridades é um dos principais problemas num caso como esse. "As informações que chegam das autoridades são desencontradas. Percebe-se clara falta de transparência quando o governo japonês diz que a situação está sob controle, quando na verdade ainda há um risco ainda iminente de derretimento do núcleo de dois reatores e a probabilidade de mais vapores radiotivos serem liberados ao meio ambiente para o controle da temperatura dos reatores".

No Brasil, apesar de termos "apenas" duas usinas - número irrisório se comparado ao Japão, que possui 55 plantas - o problema não é diferente. Transparência é palavra rara no vocabulário dos administradores do complexo nuclear brasileiro, que não assumem a responsabilidade, por exemplo, da contaminação provocada pela mina de urânio de Caetité. Por aqui a fiscalização e a regulação do setor nuclear cabem ao mesmo órgão, o Conselho Nacional de Energia Nuclear (CNEN), trazendo uma série de contradições entre o desenvolvimento dessas atividades e a garantia da segurança das operações. "A contradicao é que o mesmo setor que promove atividades nucleares e que quer se expandir é aquele que tem que fiscalizar e coibir atividades ilegais e infrações, o que obviamente acaba nunca acontecendo", afirma Baitelo.

Ainda assim o governo brasileiro planeja construir oito novas usinas nos próximos 20 anos. E como se não bastasse, o ilustríssimo ministro de Minas e Energia Edson Lobão, junto com a Eletronuclear, tem ambições ainda maiores: a divulgação de um estudo com 40 locais que poderiam receber plantas nucleares. Para especialistas, está mais do que provado que o Brasil não precisa conviver com os riscos da energia nuclear.

Mais risco

As últimas informações divulgadas pelo governo japonês mostram que o receio de uma tragédia nuclear de proporções ainda maiores está longe de ser resolvido. Segundo a Folha de S. Paulo, outras duas usinas apresentaram problemas em seus sistemas de refrigeração, o que aumenta as chances de novos vazamentos radioativos ocorrerem. De acordo com anúncio da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), as plantas de Tokai e Onagawa estão recebendo atenção especial de técnicos que tentam esfriar com água do mar os reatores superaquecidos, o que é considerado por estudiosos um ato de desespero. "A situação se tornou tão crítica que não tem mais, ao que parece, a capacidade de fazer ingressar água doce para resfriar o reator e estabilizá-lo, e agora, como recurso último e extremo, recorrem à água do mar", disse Robert Alvarez, especialista em desarmamento nuclear do Instituto de Estudos Políticos de Washington. 



 E se o recurso "último e extremo" não for suficiente para manter a situação sob controle? E se outro vazamento radioativo acontecer? O resultado já pode ser visto agora: populações inteiras sendo deslocadas, inocentes correndo o risco de contaminação. Investir em usinas nucleares sempre foi perigoso e o que acontece agora no Japão é só mais um exemplo do que a insistência dos governos pode causar à humanidade. "Infelizmente estamos vivendo mais uma prova real de que a energia nuclear é uma fonte extremamente perigosa, capaz de impactar a vida de milhares de pessoas", disse Baitelo.

FONTE: Greenpeace

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Tem uma usina logo ali

VISUALIZAÇÃO MELHOR DO MAPA
Você sabia que existem mais de duas mil usinas de geração de energia no País? Elas estão aí, espalhadas pelo Brasil, algumas bem perto de onde você vive. Veja onde estão e entenda quais os principais impactos causados por elas na comunidade e no meio ambiente.

Hidrelétrica e pequenas centrais elétricas

Atualmente o Brasil possui 173 hidrelétricas e 392 pequenas centrais elétricas, que produzem 84% da energia do País.

Para ser construída, a usina alaga grandes áreas, desalojando comunidades, causando impactos na biodiversidade e alterando o fluxo de rios.

Nuclear

A rede elétrica brasileira possui duas usinas nucleares, responsáveis por 2,79% da energia do País.
Risco de acidentes, desafio de gerir rejeitos radioativos, impactos na água e no solo, resultantes da mineração são alguns dos principais problemas dessa energia. É considerada a fonte de energia mais polêmica.

Termelétrica

Esse tipo de usina é a que o País possui em maior quantidade. São 1408 plantas espalhadas pelo território, responsáveis pela produção de 13,08% da energia do Brasil.

Termelétricas podem ser abastecida com óleo combustível, gás natural, carvão, biomassa, gás natural ou diesel, causando a emissão de gases de efeito estufa, impactos na saúde humana, impactos na água e no solo, resultantes da mineração.

Eólica

É uma das mais recentes fontes de energia do País. Em pouco mais de cinco anos, o governo construiu 51 plantas, o equivalente a 0,13% da energia brasileira.

Se mal planejada, pode afetar a rota de migração de pássaros. O ruído gerado causa impacto na fauna local. É considerada atualmente a geração de energia mais limpa.

FONTE: Greenpeace